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O conde de Grasse Tilly, chegado de volta dos Estados Unidos, não conseguiu permanecer, em 1803, na ilha de Saint Domingue, colônia francesa nas Antilhas, devido à revolução que levou o povo local a se declarar independente da França nesse ano. Grasse Tilly participara da criação e instalação do Supremo Conselho de Charleston, em 31 de maio de 1801, do qual era delegado. Obteve uma patente desse Supremo Conselho para fundar o Supremo Conselho de Saint Domingue, o segundo nas Américas. Nessa colônia havia grande número de maçons franceses com propriedades que exploravam a plantação de cana de açúcar. Diante da revolução vitoriosa de Jean Dessalines, em 1803, que venceu aos franceses e deu autonomia constitucional para o novo país a partir de 1804, sob a denominação de Haiti, e tendo perdido a posse das propriedades que havia herdado de seu pai na ilha, Grasse Tilly viajou de volta para a França, em 1804. Em Paris, acompanhado de Delahogue, seu sogro e do notário Hacquet dedicou-se a trabalhar pela divulgação do novo rito e organizar iniciativas visando reforçar a situação das Lojas escocesas na França. O Grande Oriente de França, inquieto com os progressos do escocesismo, combateu-o com todos os meios ao seu alcance. Chegou ao ponto de conseguir despejar as Lojas escocesas de todos os locais com atividades maçônicas existentes em Paris. As Lojas alugaram, então, o subterrâneo de uma casa em boulevart Poissonniere, que havia sido ocupada por Mauduit, restaurador, e ali celebraram suas assembléias. Grasse Tilly estabeleceu sua base de atuação na Loja Santo Alexandre da Escócia, independente, auto-proclamada Loja-mãe escocesa da França e que tinha por venerável, Godefroy de la Tour d’Auvergne. Em pouco tempo o conde elevou ao grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito grande número de maçons, realizando frequentes sessões de um Supremo Conselho provisório. Grasse Tilly estipulou valores monetários baixos para a concessão dos graus superiores aos maçons interessados, independente dos méritos e da instrução. Convocados os grandes Oficiais do rito para o dia 12 de outubro de 1804, constituíram-se no Grande Consistório e convocaram para o dia 22 a assembleia geral de todos os membros das Lojas escoceses com o objetivo de procederem à formação de uma Grande Loja. Isso aconteceu efetivamente na data fixada, no local de reuniões da Loja filosófica, constituindo-se aquela sob a denominação de Grande Loja Geral Escocesa de França do Rito Escocês Antigo e Aceito, que contou com a adesão de todas as Lojas escocesas, decidindo-se que sua sede seria em Paris. Elegeram-se 49 dignitários e foi proclamado Grão-Mestre o príncipe Luís Napoleão, sendo escolhido seu representante o conde de Grasse Tilly.

O Rito Escocês Antigo e Aceito chegou à França como saíra dos Estados Unidos: com 30 graus próprios e três graus das Lojas azuis locais completando o total de 33. A Grande Loja Geral Escocesa de França veio para jurisdicionar também as Lojas azuis e decidiu-se pelo Rito Antigo e Aceito para os três primeiros graus. Adotou os rituais manuscritos de 1765, sendo adaptadas algumas passagens nas cerimônias de Iniciação. A abertura e o encerramento das Lojas permaneceram os mesmos no Rito Antigo e Aceito e no Rito Escocês Antigo e Aceito, em 1804.

Os integrantes da nova Grande Loja redigiram as leis para o seu funcionamento, onde se destaca: “ Uma nova era brilha em França para a Maçonaria Escocesa, durante muito tempo perseguida. Suas adversidades têm chamado a atenção dos maçons mais cultos e mais profundamente Iniciados, que tenham levantado a bandeira escocesa sob a qual se colocaram as pessoas mais ilustres da Franco-maçonaria. Estas, por sua posição civil e militar estão chamadas a cercar e defender o trono do império francês. Reunidas em assembleia geral no templo da Loja-Mãe Escocesa de Santo Alexandre de Escócia, que substitui a Loja do Contrato Social, e portadoras dos poderes da Grande Loja metropolitana de Heredom, fundaram em Paris a Grande Loja Escocesa de França e a proclamaram. Como prova da sua adesão à dinastia imperial, a Grande Loja Escocesa nomeou Sereníssimo Grão-Mestre, Sua Alteza imperial o príncipe Luis, Grande Condestável do Império. Sob tão favoráveis auspícios trabalharemos zelosamente ocupando-nos na nobre arte da Maçonaria, não podendo realizar menos que os maiores e brilhantes progressos. Longe de lançar o anátema contra os maçons que permanecem indiferentes ao Rito Escocês, a Grande Loja se mostrará sempre disposta a recebê-los em seu seio e se esforçará para estabelecer correspondência com todas as Lojas e Capítulos regulares de França e com todos os Grandes Orientes estrangeiros...”.

A Grande Loja Geral Escocesa nasceu com autoridade sobre os altos graus do Rito Escocês Antigo e Aceito e também sobre as Lojas azuis dos três primeiros graus, perfazendo a jurisdição sobre os 33 graus do Rito Escocês Antigo e Aceito na França, em 24 de outubro de 1804, quando foi promulgada.